Poucas cidades brasileiras podem dizer que abrigaram o nascimento de um movimento político que mudaria o rumo do país. Itu é uma delas. O apelido “Berço da República”, carregado com orgulho pelos ituanos, não é força de expressão: tem data, endereço e nome de quem participou. Neste post, contamos a história por trás desse título.
O Dia que Mudou a História Política de Itu
Tudo aconteceu em 18 de abril de 1873, na casa do deputado Prudente de Morais — figura que, décadas depois, se tornaria o primeiro presidente civil do Brasil. Naquele dia, políticos e proprietários de fazendas de café se reuniram em Itu para discutir os rumos do país, dando início ao que ficou conhecido como a Convenção Republicana de Itu: a primeira convenção de caráter republicano realizada no Brasil.
O encontro reuniu 133 convencionais, sendo 78 cafeicultores e 55 profissionais de outras áreas, representando republicanos de diversas cidades paulistas — entre elas Jundiaí, Campinas, São Paulo, Sorocaba, Piracicaba (então chamada Constituição), Indaiatuba e Tietê. O local escolhido para o encontro foi um imenso sobrado em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, construído na década de 1850 pelo fazendeiro Francisco de Almeida Prado.
Por que Itu, e por que Aquela Data?
A escolha de Itu e da data não foi por acaso. No dia anterior à Convenção, 17 de abril de 1873, havia sido inaugurada a Estrada de Ferro Ituana, evento que reuniu grande público na cidade e que os republicanos souberam aproveitar estrategicamente — inclusive disputando espaço e discursos com os próprios delegados do governo provincial durante a solenidade de inauguração. Associar o movimento republicano ao progresso material representado pela ferrovia foi, portanto, uma escolha simbólica bastante deliberada.
O que foi Decidido na Convenção
Na Convenção de Itu, foi aprovada a criação de uma assembleia de representantes republicanos que passaria a se reunir com regularidade em São Paulo. Mais importante ainda: o encontro organizou formalmente o Partido Republicano Paulista (PRP), formado majoritariamente por proprietários agrícolas ligados à produção de café. O partido conseguiria eleger representantes ainda durante o período monárquico e se tornaria hegemônico nas primeiras décadas da República — sendo, inclusive, protagonista da chamada “Política do Café com Leite”, marcada pela alternância de poder entre o PRP e o Partido Republicano Mineiro. O PRP só deixaria de existir em 1937, quando foi extinto pelo governo de Getúlio Vargas, junto com os demais partidos políticos do país.
Da Casa da Convenção ao Museu Republicano
O sobrado que sediou a reunião de 1873 não ficou esquecido. Cinquenta anos depois, em 18 e 19 de abril de 1923, a casa foi transformada no Museu Republicano “Convenção de Itu”, inaugurado pelo então presidente do Estado de São Paulo, Washington Luís Pereira de Souza. A criação do museu foi obra, em grande parte, de antigos membros do PRP e de políticos ituanos, que buscavam preservar a “Casa da Convenção” como memorial da República.
A organização e direção do museu ficou a cargo do historiador Afonso d’Escragnolle Taunay, que passou a colecionar retratos dos “Convencionais” e dos integrantes do primeiro governo republicano do país, além de móveis, lustres, tapetes e objetos de decoração doados por famílias ituanas — muitos deles ligados diretamente ao Partido Republicano Paulista. Até hoje, o museu funciona como unidade auxiliar do Museu Paulista, vinculado à Universidade de São Paulo (USP), e é especializado no período da chamada República Velha.
Um Símbolo que Vai Além da Política
Mais do que um marco político, a Convenção de Itu carrega também o peso simbólico de representar a força econômica e social dos fazendeiros de café do oeste paulista naquele período — um grupo que, insatisfeito com os rumos do Império, encontrou em Itu o espaço para articular um projeto de país completamente novo. Não à toa, o movimento republicano na cidade já vinha sendo gestado desde pelo menos 1870, três anos antes da Convenção, em meio às tensões entre fazendeiros e o governo imperial que se intensificaram com a crise do mercado internacional do açúcar.
Itu Antes e Depois da Convenção
Vale lembrar que, quando a Convenção aconteceu, Itu já era uma cidade com bastante relevância histórica: havia sido fundada em 1610, teve papel de destaque nas expedições bandeirantes e viveu décadas antes seu auge como a vila mais rica da província durante o ciclo do açúcar. A Convenção de 1873, portanto, não surgiu do nada — foi mais um capítulo em uma trajetória de protagonismo que a cidade já vinha construindo havia séculos, sempre em posição estratégica dentro da história paulista.
Um Patrimônio Vivo até Hoje
Passados mais de 150 anos, a Convenção de Itu segue sendo celebrada pela cidade, que já promoveu comemorações oficiais para marcar aniversários redondos do evento, como os 140 anos, reforçando o orgulho local pelo título de “Berço da República”. O Museu Republicano continua recebendo visitantes interessados em conhecer de perto os objetos, retratos e documentos que contam essa história — um dos principais atrativos culturais de Itu, ao lado do centro histórico colonial e dos famosos monumentos gigantes da “Cidade dos Exageros”.
Preservando a História (e a Infraestrutura) da Cidade
Receber visitantes o ano inteiro — atraídos tanto pela história política quanto pelo turismo religioso e pelos exageros da cidade — exige que Itu mantenha sua infraestrutura urbana funcionando bem, especialmente na região central, onde ficam o Museu Republicano e boa parte do patrimônio histórico da cidade. Em imóveis e casarões mais antigos, como os que compõem esse centro histórico, problemas pontuais de encanamento e entupimento são mais comuns, dado o tempo de uso das instalações hidráulicas.
Nesses casos, contar com uma desentupidora em Itu experiente ajuda a resolver esse tipo de imprevisto rapidamente, preservando tanto o conforto de quem mora na região quanto a experiência de quem visita a cidade em busca de história.
Conclusão
O título de “Berço da República” não é apenas um slogan turístico: é a memória viva de um dia — 18 de abril de 1873 — em que Itu se tornou palco de um movimento que redesenharia o Brasil. Entre a Casa da Convenção, o Partido Republicano Paulista e o museu que preserva essa história até hoje, poucas cidades do interior paulista guardam um capítulo tão decisivo da política nacional.
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